Morrer em Paz

February 2, 2018

Diz a sabedoria popular que um homem só tem uma vida completa quando planta uma árvore, escreve um livro e tem um filho. Essa metáfora da vida plena está intimamente relacionada com o que chamamos de legado, ou seja, o que deixaremos como registros eternos e infinitos de nossa passagem por esse universo.

Enquanto uma árvore é o estabelecimento do equilíbrio com a Natureza, promovendo um sinal de vida, gerando raiz, folhas, fruto e segurança para os outros seres vivos, deixar seu legado através de um filho é sinal de perpetuação da sua própria espécie, sendo que seu DNA será replicado num outro organismo e suas características físicas, emocionais e psicológicas serão vistas e revisitadas por séculos e séculos, amém!

Esse legado, que também é uma forma de ‘chamado’, diz respeito ao quanto interferiremos (positiva ou negativamente) na vida e na existência dessa e das próximas gerações. E é aqui que a tríade do equilíbrio se completa com a metáfora da vida plena sendo ratificada com o ato de se escrever um livro.

Escrever um livro, um conto, um bilhete não pode ser simplesmente avaliado pelas impressões materiais nas páginas de papel, pergaminho ou bites. O que se quer é perpetuar uma ideia, um pensamento e, por que não, um sentimento, tangibilizado em letras métricas e espaçamentos justificados. O que se quer é se espalhar o que não se mede, o que não se tem palpável e que é altamente prazeroso.

Quando registramos nossas intenções numa edição livresca, estamos por gerar vidas e frutos, além de sombra na alma de quem o lê. Deixamos ali nosso DNA cultural, aquilo que fomos e que somos e que queríamos ainda ser através de palavras impressas, que nos farão sempre reviver no pensamento do leitor.

Se pudéssemos ter a velocidade para ser tudo, seríamos tudo em livros, editados em vários formatos e estampados nas suas páginas com ou sem cores vibrantes.

Eu sei que existem várias classes de autores e, também com isso, várias modalidades de escrita (poesia, contos, técnicos, odes, paródias etc.) e por isso uma abrangência enorme de características e de qualidade, mas isso pouco importa. Ser um escritor é levar a alma do seu ponto mais místico ao mais cognitivo e, nesse paradoxo, fazer com que o leitor cresça e veja seu intelecto instigado pela diferença de mundos, gerando um brainstorm neural de perguntas e respostas onde a solução estará na intima permissão de se deixar fluir pela leitura.

Temos muitos escritores e poucos livros atualmente!

Temos, então, poucos candidatos a uma morte plena...

Mas sempre haverá uma árvore a ser plantada e um filho a nascer... Basta apenas acreditar que é possível construir sua história em letras e rimas, honrando e respeitando sua existência, e que seja convencido que a plenitude é uma característica possível de ser alcançada.

 

 

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