Quando Descubro Que Minha Vida É Fake

November 21, 2018

Você acorda, levanta, se arruma e vai trabalhar.
Seja segunda, terça ou sexta você repete seu ritual diário e vai marcando “x” na folhinha como alguém perdido em uma ilha deserta que conta os dias de solidão esperando que alguém o salve.
Assim você até cantarola o hit que embalou os brasileiros na campanha do Pentacampeonato Mundial de Futebol, em 2002: “Deixa a vida me levar, vida leva eu!”
Você tem amigos do trabalho que só se relacionam em virtude das necessidades do ofício, um ou outro vizinho que você cumprimenta de vez em quando, parentes e agregados de família que você finge que gosta para não acabar com a festa antes da sobremesa e uma autoestima questionável que você insiste que não se incomoda.
Seu carro é financiado, sua casa hipotecada e seu currículo é bem limitado. O casamento é tão morno que nem discussões você e sua esposa tem por tamanha passividade que estabelece debaixo de seu teto. Seu salário não é nenhuma maravilha, mas paga as contas. Consegue às vezes passar um fim de semana na praia e também comprar um espumante de segunda linha para o reveillon. Está há sete anos sem receber uma promoção e os reajustes valem menos que a poupança.
Você realmente acha que está tudo bem por ter estabilidade e, de certa forma, se sente confortável por ter consciência de tudo que o envolve e das (poucas) responsabilidades que assume.
Gasta pouca energia com seu ritmo diário e nem liga se o diâmetro abdominal está em evolução há anos.
Você verdadeiramente vive numa bolha emocional!
Então...você é demitido, se divorcia e vai morar sozinho.
E em uma semana seus colegas de longa data de repartição não retornam mais as suas ligações, seus ex-vizinhos não se lembram de você quando cruzam com você nos corredores do shopping e os antigos parentes querem mesmo é que você morra.
Nesse instante, uma luz universal ofusca seus olhos e você acaba por descobrir que sua vida era um fake!
Não era real! Suas relações não eram verdadeiras. Seu casamento era uma mentira e sua posição profissional lastimavelmente questionada de tanta falta de energia. Você descobre que vivia a vida mais superficial que se podia imaginar pois nunca teve as rédeas das situações em suas mãos.
Nunca pode ir ao teatro, cinema ou ao futebol. Nunca viajou pra um lugar desconhecido e nunca pediu demissão. Nunca quis ter um filho e nem de cachorro você queria companhia.
Você descobre que, por anos sem cavar para buscar energia, sua vida secou e, portanto, aquilo que você achava real, se perdeu.
Não é nada fácil descobrir que sua vida é fake e que você tem poros por demais largos que não conseguem filtrar suas mazelas. Não é fácil e é ao mesmo tempo aterrorizante.
E sabe qual é a primeira coisa que você faz quando o universo começa a cair sobre sua cabeça? Reclamar e apontar para todos os seus desafetos com a espada afiada de seu senso crítico julgador, como se seus vizinhos, seus colegas de trabalho, os parentes de sua esposa e até ela, fossem os verdadeiros culpados por você ter escolhido o caminho fraco e sem brilho.
Quando se está ferido e sozinho, a resposta imediata é atacar quem nos rodeia abdicando de qualquer senso de autocrítica e auto perdão.
Agora que você está no fundo do poço da amargura e da impotência, resta uma única pergunta: o que se faz em uma situação dessa onde, sem forças e sem auxílio previsto, as esperanças parecem também terem se esgotado?
A resposta é simples:
Pare de cavar!

 

 

 

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