O Gato Subiu no Telhado

Você gosta de seu emprego, está adaptado com a sua rotina de trabalho e, intimamente, sente-se alinhado com os valores e propósitos da empresa. Seu ambiente profissional é, de certo modo, agradável, e os stakeholders são competentes e muito solícitos. Seus ganhos não são nenhuma fortuna, mas são suficientes para seu sustento e de sua família, provendo-lhe condições dignas de subsistência e lazer.

Agora pense em tudo isso e responda: o quanto você está preparado para que tudo isso sofra uma ruptura?

Pode chamar de perder o emprego, ser demitido ou ter seu desligamento requerido, não importa. O que é relevante nessa discussão é o quanto você se sente dono da posição que exerce e o quanto faz jus a esse cargo para torna-lo imprescindível no quadro de colaboradores.

Se a praga de uma demissão acontece, quando essa larvinha venenosa da vida profissional começou a ser gerida? Em qual instante foi o start para que, nesse momento seu posto tenha sofrido um colapso?

Saiba que na maioria esmagadora dos casos o processo de demissão acontece muito tempo antes da notícia formal e que, em quase todos os casos, o trabalhador ou está cego demais para perceber a evolução dos fatos ou prefere fingir que está tudo bem e ir responsabilizando os outros pelos infortúnios.

Alguém que esteja engajado e atento ao clima organizacional (não apenas aos indicadores comportamentais, como também àquelas mensagens subliminares e até mesmo as emoções conferidas nas conversas informais), vai percebendo ao longo do tempo que as coisas começam, lentamente, a sair dos trilhos, e que caminham a passos certeiros para o fim trágico.

Feedbacks corretivos em demasia e elogios escassos. Diminuição de demanda e de responsabilidades. Troca constante de cargos e funções. Isolamento e desprezo crescentes. Enfim...quando esse alguém percebe que a angústia e a ansiedade aumentam no mesmo ritmo que esses indicadores, pode ter certeza que, aquela conversa de cinco minutinhos terá, como pauta, o seu desligamento.

É justo que o colaborador saiba da existência desses indicadores paralelos para sua plenitude diária e é honesto que a firma dê todas as pistas desse desenvolvimento para que, demonstrando maturidade como empresa, ao comunicar o rompimento do contrato do funcionário, a conversa não se torne nem uma pauta bomba e nem a reunião seja uma oportunidade para se ‘lavar a roupa suja.’

Mas quando isso acontece, é sinal que a empresa em nenhum momento teve a preocupação (“pré”+”ocupação”) em resgatar o filho pródigo que andou pelo mundo gastando o dinheiro de seu parte da herança, renegando seu amor quando quis voltar para casa. As diretorias e gerencias apenas agiram com crueldade esperando o momento do abate verticalizado que apenas quem exerce o papel de chefe é capaz de fazer. Nunca um líder. O demissionário também tem sua parcela de responsabilidade por não ter se empenhado e atuado no sentido de se auto resgatar durante as tormentas, preferindo o limbo da zona de conforto, a estagnação da empáfia (achando que isso nunca vai acontecer com ele) e a procrastinação como matriz de comportamento.

Organizações que olham para seus colaboradores como capitais humanos (e não como recursos!), estão a disposição e se disponibilizam para o desenvolvimento de suas equipes, promovendo crescimento e ações constantes de alinhamento de valores.

Profissionais que olham as organizações como parceiros de cocriação, tem responsabilidades e assumem o engajamento como combustível inerente ao seu comportamento, gerenciando suas carreiras para o benefício de todos.

Essas características não garantem a diminuição de turnover e nem ratificam uma estabilidade empregatícia, apenas melhoram e muito o nível de respeito entre as partes. E ter relações baseadas no respeito é o que faz as empresas valerem a pena, ter pessoas em suas estruturas.

Mas, se você ainda se assusta com a possibilidade de demissão, saiba que o que anda faltando em sua vida é ter mais autoconhecimento para reconhecimento dos sinais do ambiente para, assim, saber exatamente por onde anda seu gato.


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