Rubens Barrichello

December 12, 2018

Rubens Barrichello é o piloto de Fórmula 1 que disputou de maneira ininterrupta o campeonato mundial entre os anos de 1993 e 2011, tendo se tornado o piloto mais experiente da história desta categoria, disputando 326 grandes prêmios ao redor do planeta, conquistando 11 vitórias, 68 pódios, 658 pontos e 14 pole positions. Goza de muito respeito e admiração na categoria, situação que não é compartilhada por grande parte da população tupiniquim que constantemente, e de forma bem-humorada, associa sua imagem àquele que sempre está atrasado e fora de contexto. Personagens de TV, memes da internet e assuntos de boteco sempre referenciam “Rubinho” com situações de lentidão e perdas de oportunidade.

Sinceramente? Isso é coisa de brasileiro! Na verdade, isso é mania de quem está sempre atrasado e cheio de compromissos e vê, na figura de alguém famoso, a oportunidade de se ver no espelho e, agredindo a imagem do famoso, está mesmo é agredindo a si mesmo, pois enxerga no espelho da vida alheia suas próprias mazelas de excesso de envolvimento no trabalho, de escassez de tempo para realização de todas suas tarefas e seus comportamentos procrastinadores ao longo da semana. Pimenta nos olhos dos outros é colírio, como diria minha mãe...

Esses “Barrichellos” da Central do Brasil e da Luís Carlos Berrini acreditam piamente que serão plenos por quanto mais ações puderem desempenhar em um único dia, em uma semana. Têm em suas crenças que a quantidade de compromissos os levará à perfeição e que, com isso, mais respeito de seus stakeholders conquistarão. Tanto é verdade quanto pode ser revelado ao responderem um simples ‘como vai’, estufam o peito dizendo de prontidão: está corrido. E, esbaforidos, fazem cara de preocupados e murmuram algumas lamentações, querendo vender a ideia que sua importância no mercado está única e exclusivamente associada ao volume de trabalho e estresse.

Profissionais como esses vivem querendo provar que são! Estão o tempo todo em buscas de um título para chamarem de seus! Correm atrás de notoriedade para se sentirem reconhecidos entre os grandes! Vivem como se estivessem um passo aquém do presente... Atuam unicamente pelo resultado e não pelo que acontece durante o caminho.

E quando esse resultado não vem no final, a sensação que se tem da situação faz lembrar do Grande Prêmio da Áustria de Fórmula 1, em 2002. É como se o narrador Cleber Machado dissesse ao pé de seus ouvidos, o mesmo bordão que soltou no fim daquela corrida, e que ecoa até hoje, quando sua equipe na época, a Ferrari, deu ordens pelo rádio, para que Rubens Barrichello deixasse Michael Schumacher ultrapassá-lo nos últimos metros da última volta da prova, entregando ao piloto alemão a vitória, deixando-o mais perto do título daquela temporada.

"Hoje não! Hoje não! Hoje sim! Hoje sim?"

Rubens Barrichello foi um grande piloto e muito capacitado para o desempenho de suas funções assim como existem dezenas de milhares de outros profissionais nas mais variadas áreas com expertises ainda maiores. Porém, pecam por focarem exclusivamente nos resultados e se esquecem de aproveitar a corrida, as curvas e até as paradas nos boxes.

Não trocam seus pneus e abstém-se de estratégias e planejamentos acreditando que apenas o excesso de compromissos e o número elevado de atividades vai leva-los ao lugar mais alto do pódio.

Números são importantes e faz todo sentido parametrizar seus feitos, mas são apenas números... Não revelam seu suor, sua preocupação com os outros ou sua contribuição para a categoria.

Saiba que uma vida corrida e cheia de tarefas sem filtros de prioridades apenas cultivará uma imagem de atrasado e construirá em você a triste necessidade de ser reconhecido apenas quando os títulos vierem.

Ter importância naquilo que se dedica é outorga de muitos profissionais. Porém, ser campeão é para poucos. Mas ser imprescindível no que se faz é para únicos. E isso independe do quanto você faz, mas de como você realiza seus feitos.

E que você tenha o seu bordão no fim da prova gritado com todo o entusiasmo, mas que seja o do Galvão:

“Vai perder! Vai ganhar! Vai perder! Vai ganhar... Perdeu!

Ganhou!!!"

 

 

 

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