Saco de Laranjas

January 30, 2019

Você vai com a família a um restaurante que há tempos estava planejando visitar. Ali, no centro do salão, senta-se à mesa intimista rodeado de pessoas que ama e que fazem sentido para você e quer, enfim, comemorar e até celebrar mais um momento de alegria e satisfação.

Naquele instante, você contempla seu desenvolvimento profissional usufruindo de uma estabilidade financeira e sente realizado por poder proporcionar uma experiência nova e agradável para todos ali.

Pois, eis que ao ler o cardápio, um simples pensamento desmorona todo o clima de amabilidade e equilíbrio:

“Meu Deus, com o preço de um copo de suco dá pra comprar um saco de laranjas!”.

Pronto!

Tudo aquilo que foi construído com base na valorização da experiência e da felicidade caiu por terra... Os comportamentos assertivos, as diretrizes com vieses numa postura de prosperidade e riqueza da alma esvaem-se como vapor, e a situação de glória vivenciada no bistrô não tem mais sentido.

Sim! É fato que com o valor a ser pago por um simples copo de suco de laranja em um restaurante dá para comprar um belo saco da fruta e, em casa, fazer muitos (muitos mesmo!) copos de um mesmo suco...

Sim! É fato que seu dinheiro não é capim e que a sensação de que se está sendo roubado é comum na mente do gestor financeiro da família e que, arrependido, sua vontade é de dar uma voadora no garçom (que, convenhamos, não tem nada a ver com a história!).

Mas o problema reside aí, nesse ponto. Não na ‘voadora’ (isso já seria uma insanidade), mas no sentimento de arrependimento.

É lógico que um copo de suco de laranja em um restaurante é, comparativamente, umas 5, 10, 20 vezes mais oneroso financeiramente que aquele feito em casa com laranjas compradas em um caminhão ‘direto do produtor’. Deveriam ser computados os custos de aluguel, IPTU e condomínio (se for o caso de shopping ou galeria). Folha de pagamento de funcionários e todos impostos recorrentes disto, além dos famigerados ISS, ICMS, PIS e COFINS, bem como custo do material (com nota fiscal do produtor) e uma certa margem de lucro, já que se trata de um estabelecimento comercial, e não sem fins lucrativos.

Mesmo assim, há o argumento de que se poderia não ser ‘tão’ caro assim...

Financeiramente, sim!

Mas o que você quer, na verdade, quando resolve sair com a família?

Quais seus objetivos ao decidir ir a um restaurante?

Que tipo de experiência é esperada de uma vivência como essa?

É claro que você não deveria sair para jantar fora se as contas em casa ainda não fecham e, em se tratando de economia familiar, ela tem prioridade sempre.

Mas se está tudo bem financeiramente e existe uma boa margem de segurança monetária, quando se olha o cardápio dando total atenção à coluna da direita da página, estará se preocupando unicamente com o preço que as coisas têm e não com o valor proporcionado por aquela experiência.

Dar valor não significa rasgar dinheiro e muito menos não se importar com o investimento, mas sim saber aproveitar o momento e as experiências vivenciais com pessoas e ambientes que fazem sentido em sua vida.

Significa saber sorrir diante de suas realizações e ver que a vida é pra ser vivida no momento presente, respeitando-se o passado e focado no futuro.

Dar valor significa ser justo consigo mesmo e acreditar que valeu a pena todos os esforços que aquela situação acontecesse sem máculas. É poder viver sem julgamentos e sem ter que dar justificativas de seus comportamentos. É ter plena consciência que valeu a pena e que você é merecedor daquela mesa no centro do salão.

É saber que um copo de suco de laranja em um restaurante vale muito mais que todos os sacos de laranja do caminhão que veio direto do produtor.

 

 

 

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