Luz, câmera, ação!

February 13, 2019

Você sabe porquê muitas pessoas reclamam que não tem tempo para nada, que não conseguem cumprir suas obrigações durante o período de trabalho e vivem tristes por não verem seus filhos crescerem?

Uma resposta deve ferver a saliva neste instante: “É claro! Com uma vida corrida que temos, como fazer para dar conta de tudo?”.

Pois é...

O que mais ouço em minhas sessões de coaching, cursos e palestras é que a vida está corrida. Alíás, pensando bem, tenho recebido também essa demanda de pessoas nas minhas mais variadas relações, sejam amigos próximos, familiares ou mesmo colegas de trabalho. A vida dessas pessoas está sempre corrida!

A consequência disso é um profundo sentimento de tristeza, pois nos vemos em um paradoxo da solidão, como se estivéssemos ausentes dos lugares onde estamos presentes naquele instante.

Acontece que em muitas, muitas fases de nossa vida, acabamos por desequilibrar nossas responsabilidades sentimentais e terminamos por vivenciar personagens específicos para um outro determinado script, escalado por nós mesmos em cenas erradas.

Isso ocorre, em geral, porque não vivenciarmos o tempo presente, já que abdicamos do verdadeiro papel que deveríamos escalar para entrar no palco naquele momento, gerando inquietude e muita frustração para uma plateia de familiares e amigos que almejava uma atuação coerente com aquele roteiro.

É importante que se saiba que cada um de nós, cotidianamente, vivencia várias faces em inúmeros papéis em função da necessidade, das pessoas e dos valores que estão envolvidos naquela situação e que, deveríamos adequar esses papéis de forma simples e sem traumas, desde que saibamos internamente o quê, onde e por quê estamos ali.

E todos esses papéis estão em nós, juntos e misturados, à espera de uma decisão comportamental que aflore esse candango doido para construir Brasília.

Não há, em nosso íntimo, uma divisão de papéis. Somos pais, mães, profissionais (cada um em sua específica área), amigos, irmãos, atletas, cidadãos, filhos e filhas, avós, tios, padrinhos, madrinhas, afilhados, vizinhos etc. Essa lista pode não ter fim se pensarmos com calma em todas as nossas atividades.

E como são muitos, não há como desempenhá-los todos simultaneamente, cabendo à precisão da situação a escolha do figurino... E isso deve ficar estabelecido e claro: somos nós que escolhemos que papel iremos desempenhar em cada relação. E é aí que mora o problema.

Muitos de nós, por passarem grande parte do seu dia envolvidos no trabalho exercendo seus papéis de trabalhadores, acreditam ser seu único perfil e levam todo o estresse e sentimento de cobrança para seus lares onde, ao invés de compartilharem bons momentos em seus esteios, dão ordem, exigem resultados e não largam do celular ou do laptop. Não estão efetivamente ali e traduzem em casa um ambiente de trabalho. Ao mesmo tempo que, em suas repartições, procrastinam e desperdiçam suas funções com celulares, cafezinhos e conversas circunstanciais. Existe até uma pesquisa que mostra que em média, a cada 8h de trabalho, entrega-se efetivamente pouco mais de 5h...

Assumir um papel coerente com a situação requer abnegação, comprometimento e muito autocontrole, pois nos dias de hoje, não é nada fácil recusar uma demanda extra de trabalho e levar para casa, ou mesmo ignorar a saúde com uma alimentação não balanceada e cheia de fast foods com a desculpa de não ter tempo ‘agora’ para pensar nisso.

Quando se equilibram os vários papéis que desempenhamos, não estamos mais preocupados com o resultado final daquele envolvimento. Estamos atentos em aproveitar o caminho, olhando cada detalhe do ambiente, acertando o texto e existindo de corpo e alma para aqueles que nos assistem. Somos assertivos e visíveis, pois estamos num estado de atenção tão focada que o tempo, em si, é muito mais que a viagem circular dos ponteiros do relógio, sendo um momento de oportunidades e riqueza do ser.

Ao descobrir esse talento, basta que, ao abrir as cortinas de nossa vida em cada manhã, tenhamos a tranquilidade para um desempenho brilhante independente de nosso tempo disponível no palco da existência, para que apenas os aplausos deem o tom no fim do espetáculo.

 

 

 

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