Meu cérebro, eu e a dúvida...

February 20, 2019

- Que som é esse?

- Como assim?

- Esse intermitente de uma nota só?

- Você não está reconhecendo?

- Na verdade, não... É que estou tão envolvido nesse abraço...

- Lá vem você de novo!

- Você não percebe o quanto que isso me conforta, por isso fica aí me julgando...

- Sim, claro. Mas tenho que fazer o meu trabalho.

- Dá um tempo!!!

- Sinto muito, tenho clareza das suas necessidades, mas não posso fazer nada a respeito. É da minha natureza alertá-lo.

- Alertar? Você quer é me jogar na cova junto dos leões, isso sim!

- Lá vem você de novo!

- Onde está seu irmão? Ah, já sei...paradinho lá do outro lado, não é mesmo? Não entendo porque ele é tão subserviente a você. Se ele tomasse as decisões, tenho certeza que eu faria tudo com muito mais alegria e liberdade e não ficaria à mercê de seus limites.

- Estou aqui para te ajudar a não entrar em enrascadas, lembra? Se eu bobear, você deixa a vida te levar e acaba pondo os pés pelas mãos.

- Agora sou eu quem tem que dizer: Lá vem você de novo!

- Você sabe que quando você dá plenos pulmões ao que meu irmão lhe diz, as consequências nem sempre são aquilo que você espera. E depois, quem fez papel de bigorna? Euzinho aqui...

- Mas com ele eu me sinto livre! Me sinto vivo!

- Ele é um irresponsável, isso sim! Confia em qualquer um! Não pode ter uma chance que vai logo se arriscando sem ao menos perguntar pra mim o que eu acho.

- Lógico! Você vive colocando empecilhos, fazendo perguntas e mais perguntas, querendo organizar cada passo que eu dou. Às vezes você é muito chato, essa é a realidade!

- Só quero que você se proteja e tenha responsabilidade. Isso promove segurança para você se desenvolver, aprender e crescer com sabedoria.

- Mas experimentar o novo também faz parte desse crescimento.

- Eu entendo o que você quer dizer, mas, antes de tudo, minha principal função é te proteger. Se não fosse por mim, sua vida estaria um caos e você não reconheceria sua rotina, não teria seus hábitos e nem saberia como voltar para casa. Acontece que, quando meu irmão propõe essas novas experiências, ele também não tem a menor ideia do que está fazendo. Ele apenas diz pra você: Vai!

- Mas às vezes é tão bom...

- Como foi ontem, não é mesmo? Reconheço que gostou. Mas quero deixar bem claro que não tenho tudo anotado no relatório. Veja se da próxima vez você me dá um pouco mais de chance de ver o que acontece. Não sei porque você ainda insiste em me colocar pra dormir!

- Essa história que você e álcool não combinam é verdade mesmo?

- Claro que é.

- Sabe, quando converso em particular com seu irmão, ele me coloca pra cima e me faz acreditar que sou capaz de realizar coisas incríveis! Sinto minhas capacidades afloradas e meu sangue corre mais rápido pelo meu corpo.

- Endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.... Ele joga baixo!

- Ele mexe com meus sentimentos de uma forma que não consigo dominar. Quando ele está à frente das coisas, vejo que o impossível é apenas uma convenção das pessoas para que todos sejam nivelados pela média. Ouvi-lo me faz ser único. Raro!

- E depois sou eu que junto os cacos!

- Não é bem assim... Sei da sua importância. Mas é que você restringe demais. Você bem que poderia dar mais espaço pra ele, não é mesmo?

- Isso não cabe a mim, e você sabe muito bem disso.

- É, eu sei. Mas é que estou tão acostumado a ler em sua cartilha que acabo sempre me esquecendo desse detalhe.

- A escolha é sempre sua. Eu só quero te proteger.

- Ei, aquele som voltou.

- Você o reconhece agora?

- Acho que sim.

- Bora acordar, então!

- Bora!

 

 

 

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