A Medalha de Michael Phelps

“Só um gênio para ganhar essa prova! Michael Phelps! Braçada com braçada! Ele e Cavic! Vai perder! Vai ganhar! Vai perder, vai ganhar, perdeu! Ganhou! Michael Phelps na batida de mão!”

Assim, Galvão Bueno narrou o final da prova dos 100m borboleta na Olimpíada de Pequim, em 2008, prova que reforçou os ares sobre-humanos do nadador estadunidense.

Naquele 16 de agosto, quando Phelps conquistou sua sétima medalha de ouro nos Jogos na prova dos 100m Borboleta, vencendo o americano naturalizado sérvio Mirolad Cavic por 1/100 segundos (1 centésimo), estabelecendo um novo recorde olímpico de 50,58 segundos, ele era apenas o quarto colocado na prova quando os competidores viraram para a última piscina (50m) e é aí que entra o Galvão...

A sucessão de ‘perder’ e ‘ganhar’ é uma das mais incríveis metáforas da vida de cada um de nós, ilustrando todas as nossas vivências diárias, nossas batalhas cotidianas, sonhos e desejos, metas e objetivos, vitórias e derrotas.

Aprendemos desde cedo que apenas o lugar mais alto do pódio é que fará com que todo o esforço faça sentido e que, qualquer que seja outro resultado nunca será bem digerido e pra sempre marcado na história como um fracasso. Isso nos torna perseguidores de medalhas e que só a foto com a coroa de louros será suficiente para emplacar nossos esforços.

Com isso, acabamos por não dar a importância devida ao caminho e passamos a não dedicar a devida atenção a cada braçada que damos nas piscinas da vida pois não estamos preparados para perder.

Perder faz parte, e é assim que se ganha!

Mas Michaels Phelps é um recordista e, como diz o narrador, um gênio das piscinas e, talvez por isso, não caiba adequadamente como exemplo para a grande e esmagadora maioria de pessoas que leem esse texto.

Apenas para ilustrar, nas finais olímpicas disputadas por Phelps, ele estava perdendo em mais da metade delas pelo menos até a última virada. Perdendo!!!

Estratégia?

Autoconhecimento?

Autoridade?

Pode ser. Mas tente imaginar-se disputando uma final olímpica ao lado dele e, ao olhar para o lado, vê que está vencendo... O que você iria pensar? “Que se dane, esse Phelps! Eu é que vou vencer!!!” Mas no final, acaba perdendo...

Não se ganha sempre e nem a todo momento.

A vitória, ou seja, a conquista de seus resultados está diretamente ligada ao que acontece no caminho, e não no seu final. É um processo constante e contínuo, braçada a braçada, focado em seu desempenho como se fosse um mantra a ser seguido quase que religiosamente.

Não se passa num exame vestibular para medicina no dia da prova!

Não se consegue uma promoção no trabalho quando se entrega o relatório!

Não se atinge a maturidade no fim da vida!

Não se conquista a felicidade quando algo específico acontecer!

Não!

Essas são apenas fotografias da ‘batida de mão’ e que revelam apenas o último ato.

A vitória é conquistada assumindo-se hoje um comportamento campeão e uma consciência que esse ciclo de ganhar e perder faz parte da maturação e da têmpera da medalha de ouro.

Saber que muitas vezes o objetivo parece inalcançável e entender que isso faz parte do processo faz toda a diferença naqueles momentos em que surge uma imensa vontade de parar com tudo, onde a sensação é a de que nada está valendo a pena mais.

Mas como diz a personagem Dory, do filme Procurando Nemo, ‘continue a nadar, continue a nadar...’.

E Phelps nadou. Mesmo perdendo, ele nadou!

E hoje acumula um peso enorme em sua prateleira com 23 medalhas de ouro conquistadas em 4 olimpíadas.

Nós também vamos perder, vamos ganhar! Vamos perder, vamos ganhar. Perderemos! Ganharemos! Na batida de nossas mãos.


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