Pessoas feitas para vencer

June 11, 2019

São 6:30 da manhã e minha vontade é de ficar na cama, pois estou um pouco gripado e quero aproveitar o domingo para descansar um pouco mais. Mas o relógio fica ensurdecedor quando penso que a carona que vem buscar minha filha de 13 anos para levá-la a um torneio de handebol numa cidade vizinha chega daqui a pouquinho.

Minha esposa também está gripada e, na noite anterior, combinamos que eu iria fazer o café, a vitamina e os ovos mexidos para que nossa primogênita se abastecesse de toda energia possível.

Trinta minutos depois de ter caído da cama, fico feliz em ver duas mulheres na mesa do café da manhã juntas comigo, falando preguiças e murmurinhos toda vez que tento dar um “up” em nossa conversa.

A quarta representante de nossa família de apenas 9 anos ainda dorme, mas já-já vamos trazê-la também para a cozinha pois sua escola organizou um evento sobre abelhas e meio ambiente no bosque municipal e, tendo ouvido a semana toda seus pedidos a respeito da sua agenda escolar, coloco mais alguns ovos sobre a pia para uma extensão de nosso desjejum.

O torneio esportivo vai das 8h as 14h a 25 quilômetros daqui.

O encontro apical começa as 9h e dura até as 16h aqui pertinho.

Ou seja, temos dois compromissos simultâneos de igual magnitude envolvendo, cada um, uma de nossas filhas.

Essa é uma história de escolhas, mas não entre uma filha ou outra, ou sobre as prioridades que devemos assumir nessa manhã de domingo.

É sobre todas as escolhas que já fizemos até aqui e que sustentam o bem-estar da nossa família.

Eventos como esses acontecem mais rotineiramente do que se possa imaginar. Praticamente temos encontros em quadra ou na escola semanalmente, sejam jogos e treinos ou mesmo exposições e jograis.

E não, não vamos em todos!

Eu e minha esposa trabalhamos e também temos nossa rotina e compromissos profissionais que, às vezes, nos impedem de estar presentes juntos delas.

Não que gostemos dessas ausências, mas entendemos nossas limitações e impossibilidades, e deixamos claro para elas quando olharem para arquibancada ou para a plateia e não identificarem um ou outro, que apesar da não presença física, nossos corações estão lá com toda a intensidade.

Procuramos fazer com que elas entendam que nossas escolhas particulares estão, de certa forma, ligadas ao sucesso de suas performances em seus respectivos eventos, pois é nosso trabalho que supre as necessidades de todos nós.

Mas, se pudermos realocar nossos compromissos, não tenham dúvidas, somos os primeiros a comprar os ingressos.

O que nos trouxe a esse ponto da nossa pequena história familiar é o fato de desde sempre apreciarmos nossas filhas em seus compromissos sem nunca ter feito as opções por elas e, com isso, nunca, nunca mesmo ter colocado grandes expectativas acerca de seus resultados.

Sempre torcemos, isso sim! Mas não cobramos medalhas e diplomas de honra ao mérito. Não enxergamos vitórias nas olimpíadas ou prêmio Nobel. Incentivamos dedicação e entusiasmo, respeito ao próximo e a construção de um comportamento assertivo diante das demandas do mundo.

Uma já fez aula de modelo, teatro e ginástica olímpica.

A outra também.

Já compraram ukulele e minha casa é a capital mundial das slimes.

Aliás, as duas já bancaram de youtubers diante da câmara do celular.

Já se transformaram em empreendedoras mirins vendendo pulseirinha para crianças da vizinhança, mas acabaram mudando para o nicho da slime depois.

Do lado de cá, enquanto pais, orientamos e incentivamos quando elas indicam desenvolver suas habilidades e, quando percebemos que é mais do que uma simples modinha, vamos investindo cada vez mais nossa atenção e tempo às suas demandas.

Nesse domingo, acompanhamos o campeonato até as 12:30 quando nosso time chegou até a semi-final e depois partimos para o bosque.

Quando respeitamos o espaço das crianças e deixamos claro que nem sempre as coisas acontecem da maneira que desejamos, estamos não apenas construindo o caráter de nossos filhos, mas assentando o caminho de pessoas feitas para vencer.

 

 

 

 

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